2 de agosto de 2018

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Um novo olhar sobre liderança

Há centenas de livros, debates e estudiosos abordando o tema liderança e, mesmo assim, há ainda nos dias de hoje um grande desafio para aplicar todos estes conceitos.

Mesmo com uma quantidade enorme de informações disponíveis, por que ainda há uma distância gigantesca entre a teoria e a prática?

O modelo de liderança ainda é o mesmo do século XVIII

Muitas pessoas nas organizações estão gritando por ajuda pois não compreendem mais as relações de trabalho e as estruturas hierárquicas, que são as mesmas desde a revolução industrial no século XVIII e que, pra elas, não fazem mais sentido para os desafios que se apresentam hoje.

Muitos líderes nas organizações estão gritando por ajuda, pois não compreendem porquê as pressões por metas, resultados e as cobranças constantes não fazem mais a ‘diferença’ que faziam antes.

As organizações estão doentes

Há um sentimento de líderes e liderados de que algo precisa ser feito e precisa ser feito já, pois a quantidade de organizações ‘doentes’ não para de crescer.

No Brasil, os casos de afastamento por doença do trabalho cresceram cerca de 25% entre 2005 e 2015, atingindo 181.608 pessoas, segundo informações publicadas no Anuário do Sistema Público de Emprego e Renda do Dieese, com base na Relação Anual de Informações Sociais (Rais).

Apenas no ano passado, mais de 75 mil pessoas foram afastadas do trabalho por depressão no Brasil.

O impacto na economia mundial é de aproximadamente 1 trilhão de dólares por ano. Ainda de acordo com a OMS, existem 23 milhões de pessoas sofrendo com transtornos mentais e que necessitam de algum atendimento em saúde, correspondendo a cerca de 12% da população brasileira.

Obviamente não podemos afirmar que todos estes problemas estão diretamente ligados à liderança, mas seguramente, boa parte estão relacionados. E quando dizemos que as organizações estão doentes, é pelo fato de não terem uma atitude massiva de ações para repensar as relações de trabalho e desenvolver um novo olhar sobre a liderança.

Mesmo as organizações ditas como ‘as melhores empresas para se trabalhar’, estão enfrentando grandes dificuldades sobre retenção de pessoas, atingimento de metas e a aplicação prática da liderança face aos desafios de hoje.

A liderança de contingência não funciona mais

As teorias da “contingência” ou “situacional” da liderança, aplicadas nas décadas de 1960 e 1970, sustentavam que os líderes tinham que adequar o seu estilo particular de liderança às necessidades da situação (aos tais desafios das organizações).  

  1. Os líderes orientados para a tarefa tinham melhor desempenho em situações extremas – situações muito fáceis ou muito difíceis.
  2. Os líderes orientados para as pessoas se saíram melhor nas situações “intermediárias”.

O modelo de tomada de decisão da liderança orientou os gestores como eles deveriam tomar decisões sozinhos, analisando cuidadosamente os impactos para cada situação específica.

Essas teorias situacionais muito “mecânicas” dominaram o desenvolvimento da liderança e o treinamento de equipes por décadas.

Um novo olhar sobre a liderança

Nos últimos anos algumas organizações têm desenvolvido novas maneiras de pensar sobre a liderança – uma abordagem que considera a liderança extremamente complexa e uma abordagem muito mais voltada para conectar o propósito pessoal ao propósito das organizações.

O que nós temos testemunhado sobre uma liderança mais eficaz trata diretamente da capacidade do líder de envolver, energizar, inspirar e desenvolver pessoas.

Além disso, teorias de liderança compartilhada estão sendo cada vez mais aplicadas no dia a dia. Neste tipo liderança compartilhada, o poder de decisão e a responsabilidade de liderar a equipe estão dispersos entre muitos membros.

Na prática é possível aplicar este novo olhar em qualquer organização?

Existe uma crise, mas é a crise do olhar sobre a liderança e de como encurtar as teorias e a prática.

A verdadeira medida da liderança é a influência, nada mais nada menos. Mas como influenciar as pessoas se elas não acreditam nas organizações? Como influenciar os líderes se eles não acreditam em si mesmos?

É preciso mudar o olhar e abordar a liderança sob uma nova ótica.

O mundo está cada vez mais interconectado e em uma em evolução surpreendente. A administração (note que agora chamamos de “liderança”) foi um esforço direto, como sugerido pelas teorias de contingência – simplesmente analisar a situação e seguir em frente. Mas, isto não funciona mais nos dias de hoje.

O mundo de hoje é fantasticamente complexo e requer que toda a capacidade de um líder e a capacidade compartilhada da equipe permaneçam competitivas, acreditem que estão fazendo algo impactante, que os desafie a serem melhores e mais eficazes.

Os líderes devem constantemente envolver as pessoas, analisar situações complexas, delegar, monitorar e motivar. É um trabalho difícil, mas permanecer competitivo requer essa nova forma de liderar.

No mundo atual baseado no conhecimento, um líder não pode esperar liderar sozinho. Com toda a probabilidade, as pessoas têm mais conhecimento acumulado sobre o objetivo  da organização do que o líder, portanto, faz sentido compartilhar a responsabilidade o tempo todo.

Parece simples? Claro que não. Nas próximas semanas iremos abordar mais conteúdos sobre este tema, para podermos aplicá-los cada vez mais em nossa vida cotidiana.

E se você ficou interessado pelo tema, dá uma olhada no curso que estamos preparando para setembro para discutir os Líderes do Futuro!

André Medeiros

Co-fundador da Edevo

André Medeiros tem 20 anos de experiência e atualmente é sócio na Advoco Brasil, empresa de consultoria que ajuda no desenvolvimento de escritórios de advocacia, e é um dos fundadores da Edevo.