19 de julho de 2018

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Startup Way

Como as startups fazem

Startups estão no topo das paradas. Dia e noite vemos notícias sobre o valor dos investimentos realizados, as fusões e aquisições desse mercado ou ainda como o governo pretende regular suas atividades. Ao mesmo tempo, somos todos usuários de produtos e serviços de startups ou que já foram startups e se tornaram grandes empresas de tecnologia.

O que diferencia então uma startup de uma empresa comum? Usamos o termo de forma tão frequente, mas o que essa classificação significa?

O que são startups

Startups são empresas em sua fase inicial. No entanto, só essa característica não é o suficiente para diferenciar uma startup de qualquer outra empresa em fase inicial.

Essa empresa em estágio inicial deve possuir um perfil inovador. Para isso, ela pode empregar qualquer um dos tipos de inovação possíveis (saiba mais sobre eles aqui) na criação de produtos e serviços.

Esses produtos e serviços, por sua vez, devem ser oferecidos de maneira escalável. Isso significa que a startup vai se orientar pelo ganho em escala para ser competitiva, pois focar em poucos clientes não garantirá sua sobrevivência. Quando falamos em escala, isso significa que para a startup conseguir um novo cliente, ela não terá um incremento alto no seu custo marginal. Ao mesmo tempo, sua lógica de precificação, distribuição, captação de clientes, estruturação do produto/serviço seguirão esta lógica também. Como grande parte dessas características pode ser atingida por meio do uso da tecnologia, muitas das startups estão aliadas a uma base tecnológica, mas isso não é requisito para que uma organização seja classificada como uma startup.

Esse produto ou serviço colocado à disposição do mercado é desenvolvido inicialmente como um MVP (produto mínimo viável). Um produto mínimo viável significa aquele produto rudimentar, desenvolvido apenas com sua funcionalidade principal, destinado para que a startup possa testar o mercado para verificar se o mesmo de fato deseja aquele produto. Uma vez validado, aí sim ela pode incrementá-lo com novas funcionalidades. Isso ocorre porque o desenvolvimento de um produto mais robusto requer tempo e dinheiro, coisa que, hoje, quase ninguém no mercado tem de sobra.

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Focando exatamente nessa questão dos custos, as startups se orientam pelo que chamamos de bootstrapping. Trata-se de uma lógica de contenção de gastos e custos com investimentos mínimos estratégicos realizados com muito foco para garantir o crescimento. Ainda nesse sentido, é comum que as startups busquem sócios com capacidades complementares para suprir a necessidade de formação de um time capaz de desenvolver o negócio, uma vez que ela não possui recursos financeiros necessários para a contratação de funcionários inicialmente.

Justamente por essa utilização das capacidades complementares dos sócios e, inclusive, de mentores e colaboradores em diversas áreas da empresa para suprir a falta de funcionários, as startups são também marcadas pela ausência de processos internos claros e definidos.

Dessa maneira, surge uma startup. Essa startup, então, se tornará uma empresa comum assim que começar a perder as características mencionadas acima. É o caso do que ocorreu com UBER, Salesforce, Netflix, Google e muitas das grandes empresas de tecnologia. Apesar disso, a cultura de startup ainda permanece enraizada nestas organizações.

Lógica de funcionamento

A lógica de funcionamento das startups é fortemente moldada pelas características mencionadas anteriormente.

Assim, é comum e pode ser verificado no mercado que startups têm a necessidade de estabelecer contratos de curto prazo, pois não sabem quanto tempo vão sobreviver; possuem equipes altamente qualificadas, pois não possuem dinheiro para contratar diversos profissionais; em sua maioria, evitam o uso de estruturas físicas, maquinário e estoques, pois isso gera custos; utilizam muita tecnologia, pois necessitam ser eficientes e otimizar seus custos, dentre outros.

Pense como uma startup

Por conta de todas essas características, as startups costumam adotar metodologias que tem sido objeto de curiosidade das grandes empresas. A maioria dessas metodologias de negócio foram criadas para atender as necessidades decorrentes das suas próprias características que a princípio as limitam, mas geraram a necessidade de inovar na gestão e condução dos negócios. Alguns exemplos são o growth hacking, design thinking, frameworks ágeis, holacracia, metodologia lean, fail fast dentre outras.

Diante de todas essas novas ferramentas de gestão e organização, as startups se tornaram realmente competitivas, inclusive porque geralmente seus produtos/serviços são extremamente focados em um único nicho/ habilidade para que estabeleçam uma vantagem competitiva frente às empresas tradicionais que competem com elas e já estão estabelecidas no mercado.

Por conta desse crescimento das startups no mercado em termos de competitividade, as grandes empresas passaram a se interessar pelo motivo o qual as startups conseguem se mover tão rápido, como trabalham, quais são suas ferramentas de gestão ou modelos de criação de produtos, dentre outros. Assim, hoje vemos diversos executivos viajando para o Vale do Silício em missões para entender o que acontece com essas empresas de tecnologia e startups, como a Missão Tech SP que organizamos em agosto na capital. Além disso, vemos também diversas metodologias utilizadas pelas startups sendo introduzidas nas grandes empresas por meio de consultorias. Apesar disso, o importante é entender o que está por trás de todas elas: velocidade na tomada de decisão, fazer testes para apenas depois validar investimentos maiores, relacionamento constante com o público consumidor para obter feedbacks e insights importantes para a formatação dos produtos e serviços oferecidos pela empresa e, por fim, um controle significativo de gastos.

Gostou deste conteúdo? O nosso curso Startup Way mergulha nesse universo do jeito de pensar dessas organizações exponenciais. Fique ligado nas próximas turmas!

Erik Nybo

Head of Inspiration

Co-fundador da Edevo - Escola de Negócios, Inovação e Comportamento, Head de Inovação no Molina Advogados e advogado graduado pela Fundação Getúlio Vargas de São Paulo (FGV-SP).