25 de julho de 2018

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Quais são as startups de educação no Brasil?

A educação fundamental, ensino médio e a educação universitária no país sofrem dificuldades para acompanhar os avanços da nova economia. No entanto, hoje, o mercado demanda novas habilidades dos seus colaboradores e candidatos por conta da recente introdução de tecnologia nas empresas. Assim, diante das recentes mudanças do mercado, torna-se necessário aprender novas habilidades que já não são supridas pelos métodos e matérias do ensino tradicional. Isso causa um abismo entre o ensino formal e o que o mercado busca.

A introdução de tecnologia nas empresas fez com que surgisse uma tendência denominada de “No Collar” (sem colarinho). Hoje, a tecnologia utilizada pela maioria das empresas ainda é rudimentar, mas espera-se que num futuro próximo as empresas consigam se sofisticar cada vez mais quanto ao nível de tecnologia empregado nos processos internos e na própria operação. A expressão “No Collar” remete ao uso da cor do colarinho nos Estados Unidos para se referir a determinados tipos de trabalho (ex.: blue collars são aqueles trabalhadores de fábricas). De forma similar, no Brasil utilizamos a cor do colarinho para nos referirmos a algumas atividades (ex.: crime de colarinho branco é aquele crime cometido por executivos). Acredita-se que a primeira referência à cor do colarinho para designar o tipo de trabalho desempenhado por uma pessoa tenha surgido em 1924.

De 1924 para hoje, o mercado mudou muito e, por essa razão, a designação do tipo de trabalho pela cor do colarinho também já não funciona para os tempos atuais. Segundo a tendência “no collar”, não adianta mais nos referirmos à cor do colarinho das pessoas para designar posições de trabalho, pois agora essas posições convivem com robôs e outras tecnologias. Não só isso, como a multidisciplinariedade tomou conta, ao invés dos tradicionais silos profissionais ocupados por especialistas altamente focados. Dessa maneira, já que os modelos de negócio de hoje não são organizados sob aquele modelo composto por excessivos processos internos, divisão extrema das atividades e especialização, não faz mais sentido classificar o trabalho das pessoas pela cor do colarinho. Hoje uma pessoa pode ser multitarefa, atua por projetos ou squads ao invés de ter uma posição fixa e, pra completar, ainda se vale do uso da tecnologia para desempenhar suas funções. Ou seja, o “colarinho” morreu.

Em um ambiente como esse, a rotulagem de pessoas que ocupam determinados cargos de trabalho por conta da função que exercem passa a ser um conceito errado, uma vez que agora as empresas tendem a demandar cada vez mais qualidades humanas de seus colaboradores, já que as máquinas conseguem lidar com as tarefas repetitivas. Em um momento como esse, a tendência é de uma valorização do pensamento voltado para valores morais e éticos, filosofia, resolução de problemas complexos, pensamento estratégico, dentre outras capacidades cognitivas que hoje não podem ser substituídas por máquinas.

Por conta disso, ocorre uma proliferação de escolas focadas em capacitar crianças e adultos para as dificuldades do mercado atual, bem como desenvolver as habilidades que o mundo profissional exige e que hoje não são trabalhadas nas faculdades. Surgem assim desde as escolas para crianças, até os diversos cursos de extensão ou cursos livres para desenvolver as capacidades que as empresas buscam nos seus colaboradores. Um exemplo muito claro dessas capacidades são as soft skills – que não são objeto da maioria dos cursos de ensino superior. Embora não haja um consenso sobre o que são soft skills, podemos definir como competências sociais e comportamentais que utilizadas de forma estratégica são interessantes para as empresas. Alguns exemplos são trabalho em equipe, resolução de conflitos, solução de problemas, relacionamento, comunicação, gestão de tempo e organização, dentre outras habilidades, facilidade no uso de tecnologia.

Ao mesmo tempo em que as soft skills ocuparam seu lugar no mercado, as habilidades relacionadas à capacidade de enxergar mudanças no mercado, adaptar-se e explorar oportunidades também. Por essa razão, cada vez mais empresas buscam profissionais capazes de lidar com tecnologia, inovação, estruturar novos métodos de organização interna ou processos, otimização de tempo e custos, dentre outros.

Por fim, se estamos falando na introdução de tecnologia no mercado de trabalho, é essencial que as pessoas saibam gerir tecnologia, entender o seu funcionamento, desenvolver produtos/serviços ou programas tecnológicos e utilizar essas ferramentas a seu favor.

Diante de todas essas novidades no mercado de trabalho e o hiato entre o que a formação tradicional oferece e o mercado necessita, surgiram as startups de educação que hoje atuam de forma complementar ao ensino formal e tradicional. Dessa maneira, as pessoas podem se desenvolver e reciclar para atender às expectativas do mercado e obter um bom desempenho na carreira.

Algumas das principais startups de educação focadas exatamente nas habilidades exploradas por este artigo estão listadas no mapa abaixo:

Lembra de alguma edtech que não está aí? Conta pra gente nos comentários qual é e onde você incluiria ela no mapa!