30 de agosto de 2018

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Liderança evolutiva

O sistema político-econômico-social atual do mundo está ruindo e o Brasil está no epicentro dessa ruptura. Estamos caminhando para um desgoverno, uma sociedade que não confia nos seus governantes, que está cansada de falsas promessas, corrupção e falta de ética.

Este cenário mostra que caminhamos para um modelo que não é nem o capitalismo, nem o socialismo. Nem a democracia, nem a ditadura. Nem a monarquia, nem a república. Um novo modelo político-econômico-social está surgindo. Um modelo totalmente novo e ainda sem nome que transcende todas as dualidades acima descritas, colocando a humanidade num novo patamar de evolução.

Nesse novo paradigma, estruturas hierárquicas dão lugar a redes, coletivos, grupos de interesse comum com um modelo de gestão mais horizontal e participativo. Estas organizações serão responsáveis por atender a um propósito coletivo e as pessoas que nelas trabalham poderão se dedicar aos projetos que quiserem de forma livre, com autonomia e sem estar preso a cargos e departamentos.

Organizações como estas já existem. Empresas como a Patagonia (empresa de roupas e equipamentos esportivos de 1000 funcionários) e a Zappos (empresa do ramo de calçados de 1500 funcionários) já operam dentro do paradigma das organizações evolutivas (ou Teal Organizations), segundo a classificação de Frederic Laloux no livro Reinventing Organizations.

Quando Tony Hsieh, CEO da Zappos, enviou um email aos seus 1500 funcionários avisando que a empresa iria passar por uma transição para um sistema de autogestão onde não há cargos nem chefes, 14% deixaram a empresa em 3 meses.

Imagine você recebendo um email desses de seu CEO. A partir da semana que vem, vamos implantar um sistema de gestão participativo e não haverá mais cargos nem chefes. O que você faria? Como liderar nesse novo sistema operacional? Quem é esse novo líder e quais as competências necessárias para navegar com maestria nesse cenário?

Tenho trabalhado em organizações evolutivas há um ano e meio percebo que o cerne da nova liderança está no desenvolvimento interno. Precisamos desenvolver competências internas que não se aprende no MBA.

Quando eliminamos a hierarquia, temos que aprender a lidar com conflitos. Criar rotinas de autogestão para não procrastinar. Comunicar-se de forma autêntica, conhecer as nossas próprias limitações e aprender a ouvir com empatia. Criar ambientes de confiança onde a competição dá lugar à colaboração. Abrir mão do comando e controle. Liderar sem se apoiar no poder estrutural. Apurar o senso de justiça. Negociar com os membros da sua equipe, clientes e fornecedores. Desenvolver visão sistêmica.

Nós, da cuidadoria, acreditamos que a reinvenção das organizações depende do desenvolvimento de competências internas do ser humano e por isso desenvolvemos, em parceria com a Edevo, o curso Matrix – Líderes do Futuro. Fique ligado e não deixe de acompanhar as próximas turmas!

Henrique Ka

Sócio cuidadoria

Bacharel em Matemática, atuou na área de TI durante 20 anos, dos quais 8 no Japão como gestor de projetos. É sócio da cuidadoria, Consultor de Gestão Colaborativa de Projetos, Facilitador de Processos Colaborativos e coach.