19 de novembro de 2018

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Deep Work – O foco fundamental para a alta performance – Parte IV

Falamos nos artigos anteriores sobre Deep Work – O foco fundamental para a alta performance. Nesta última parte do tema, iremos falar do processo de desintoxicação das coisas que tiram nossa atenção a todo o momento e como treinar o cérebro para entrar no modelo Deep Work.

Você precisa se desintoxicar

Uma vez que seu cérebro se acostumou a um mundo ultra distraído, é difícil adaptá-lo para funcionar profundamente. Se cada momento de tédio potencial em sua vida – por exemplo, se você precisa esperar cinco minutos em uma fila ou se sentar sozinho em um restaurante até que seus amigos cheguem – é aliviado por uma olhada rápida em seu celular, seu cérebro chegou a um ponto em que não está pronto para trabalhar de maneira profunda – mesmo se você praticar essa concentração regularmente.

Aprenda a meditar de uma vez por todas, as não precisa ser como um monge!

Por isso, você deve praticar a meditação produtiva. O objetivo dela é pegar um período em que você esteja ocupado fisicamente, mas não mentalmente, como por exemplo andando, dirigindo ou tomando banho – e focar sua atenção totalmente em um problema profissional bem definido.

Dependendo da sua profissão, esse problema pode ser escrever um artigo, tentar definir uma estratégia de negócios ou preparar uma palestra.

Assim como na meditação plena, você precisa continuar a atrair sua atenção para o problema. Para ser bem-sucedido com a meditação produtiva, é importante reconhecer que, como qualquer outra forma de meditação, você precisa praticar muito para se sair bem.

Como um iniciante, quando você começar sua sessão de meditação produtiva, o primeiro reflexo da sua mente será trazer pensamentos mais interessantes, desconexos.

Quando notar que sua atenção está fugindo do problema, lembre-se de que você pode pensar nessas coisas depois e redirecione sua atenção ao problema novamente.

Liberte-se das redes sociais de uma vez por todas

Identifique os fatores-chave que determinam o sucesso e a felicidade em sua vida profissional e pessoal.

Só adote ferramentas como o Facebook e o Twitter se seus impactos positivos nesses fatores ultrapassarem os impactos negativos.

Você não precisa largar a internet completamente, mas deve rejeitar o estado de distração de estar sempre conectado. Existe um meio termo e, se você está interessado em desenvolver um hábito de trabalho profundo, precisa lutar para chegar lá.

Tenha sempre em mente os seguintes pontos:

  • Aplique a regra de Pareto para seus hábitos com a internet. Essa regra afirma que, em muitos contextos, 80% dos efeitos é devido a apenas 20% de possíveis causas.
  • Abandone as redes sociais por 30 dias. Não desative formalmente esses serviços e não mencione online que você estará saindo: apenas pare de usá-las. Depois de trinta dias de isolamento da rede, pergunte-se as seguintes questões: Os últimos 30 dias seriam melhores se eu tivesse usado esse serviço? As pessoas se importaram com o fato de que eu não estava usando esse serviço?
  • Não use a internet para se divertir. Dando à sua mente alguma tarefa significativa durante todas as suas horas de trabalho, você vai terminar o dia mais satisfeito e vai começar o dia seguinte mais relaxado. Se, em vez disso, você permite que sua mente perambule por horas pela internet, isso não acontece.

Para resumir, se você quer eliminar o vício dos sites de entretenimento drenando seu tempo e atenção, dê a seu cérebro uma alternativa de qualidade.

Isso não só vai preservar sua habilidade de resistir às distrações e de se concentrar, mas também vai te ajudar a experimentar o que significa viver, e não só existir.

Elimine o trabalho superficial de uma vez por todas

Trate o trabalho superficial com desconfiança, porque seu dano é muitas vezes subestimado e sua importância superestimada.

Esse tipo de trabalho é inevitável, mas você deve mantê-lo confinado a um ponto em que ele não impeça sua habilidade de aproveitar ao máximo seus esforços profundos, que determinam seu impacto.

Comece programando cada minuto do seu dia:

Uma combinação de programação organizada e flexibilidade para reagendar as coisas se necessário irá permitir mais insights criativos do que uma abordagem mais tradicional, com um dia desestruturado e aberto.

Sem uma estrutura, é fácil permitir que seu tempo caia na superficialidade – e-mail, redes sociais e internet.

Esse tipo de comportamento superficial, embora seja prazeroso no momento, não conduz à criatividade. Por outro lado, com uma estrutura, é possível definir blocos regulares de tempo para gerar novas ideias ou trabalhar profundamente em algum desafio ou brainstorm por um período de tempo fixo.

Esse é o tipo de compromisso que gera inovação.

Quantifique a profundidade em cada atividade:

Uma vantagem de programar seu dia é que você pode determinar quanto tempo está gastando em atividades superficiais. Depois de entender onde suas atividades estão na escala de profundidade ou superficialidade, gaste seu tempo nas mais profundas.

Qual porcentagem do meu tempo deve ser gasta em trabalhos superficiais? Se você tem um chefe, tenha uma conversa com ele sobre isso.

Você provavelmente vai precisar definir para ele o que são trabalhos “superficiais” e “profundos”. Se você trabalha por conta própria, faça essa pergunta a si próprio.

Termine seu trabalho às 17:30 da tarde:

Esse é um compromisso fixo com a produtividade, sugerido por Cal. Ter uma hora fixa para terminar o dia de trabalho torna necessário que você seja capaz de encontrar estratégias de produtividade que permitam concluir tudo que deve ser feito na hora e na velocidade certas.

  • Dificulte o envio de mensagens para seu e-mail: A ideia de que todas as mensagens, independentemente do motivo ou do remetente, chegam na mesma caixa de entrada, e que há uma expectativa de que cada mensagem precisa de uma resposta, é extremamente improdutiva. Criar um filtro de remetentes é um passo pequeno, mas muito útil, para melhorar essa situação. Filtros de remetentes e pastas para desconhecidos são uma boa maneira de assumir o controle do seu tempo.
  • Dedique-se mais aos e-mails que você envia e responde:Responder e-mails com uma resposta rápida irá, em um curto prazo, te dar um pequeno alívio, porque você estará se livrando da responsabilidade trazida pela mensagem. No entanto, esse alívio é de curto prazo, já que a responsabilidade vai continuar voltando para você em cada novo e-mail que você envia, tomando seu tempo e atenção. Para lidar com isso, o ideal é fazer uma pausa antes de responder cada e-mail e ser preciso no conteúdo de suas mensagens, para garantir que eles não fiquem voltando para sempre.
  • Não responda a todos os seus e-mails. Desenvolva o hábito de deixar pequenas coisas ruins acontecerem. Se você não fizer isso, nunca vai encontrar tempo para as coisas grandes e importantes. Você deve se contentar em perceber que, como os professores do MIT descobriram, as pessoas são rápidas para ajustar suas expectativas para seus hábitos específicos de comunicação. O fato de que você não responde às suas mensagens provavelmente não é um evento central em sua vida. Não responda aos e-mails que não se relacionam com seus interesses ou agenda, e nem aqueles que são ambíguos ou difíceis.

Conclusão

A vida profunda não é para todos. Ela exige trabalho duro e mudanças drásticas em seus hábitos.

Para muitos, existe um conforto na ocupação artificial de responder a mensagens rapidamente ou postar em redes sociais, mas a vida profunda exige que você deixe muita coisa para trás.

Há também uma dificuldade que circunda qualquer esforço para produzir as melhores coisas que você é capaz de produzir, já que isso te obriga a confrontar a possibilidade de que seu melhor (ainda) não é tão bom.

Mas se você está disposto a se esquivar desses confortos e medos, e lutar para utilizar sua mente em sua capacidade máxima para criar coisas importantes, então você vai descobrir que a profundidade gera uma vida rica em produtividade e significado.

por André Medeiros

André Medeiros

Co-fundador da Edevo

André Medeiros tem 20 anos de experiência e atualmente é sócio na Advoco Brasil, empresa de consultoria que ajuda no desenvolvimento de escritórios de advocacia, e é um dos fundadores da Edevo.