12 de novembro de 2018

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Deep Work – O foco fundamental para a alta performance – Parte III

No primeiro artigo  falamos sobre os problemas e enganos sobre o ‘multitarefa’ e como isto afeta a produtividade de muitas pessoas nos dias de hoje. No segundo artigo nos aprofundaremos um pouco mais nos conceitos para a alta performance. Nesta terceira parte iremos falar sobre hábitos e rituais para ser ainda melhor em Deep Work.

O que significa entrar em ‘flow’

Diferente dos artesãos que enfrentam desafios profissionais relativamente bem definidos, mas de difícil execução, não é fácil definir exatamente as tarefas que precisam ser executadas por especialistas no mundo atual.

Tudo parece terminar em alguns e-mails e apresentações de PowerPoint. Além disso, será que o profissional especializado consegue se realizar em seu trabalho, assim como o artesão se realiza em seus trabalhos manuais?

Essa conexão entre profundidade e propósito não está muito clara no trabalho especializado, mas não significa que ela não existe. O objetivo aqui é entendermos que o trabalho profundo pode gerar tanta satisfação na era da economia da informação, quanto ela gerava na época da economia artesanal.

Para entrar em modo ‘deep work’ você precisa entender o conceito de flow, ou fluxo

O fluxo é um estado mental em que o corpo ou mente de uma pessoa é ‘esticado’ a seus limites, em um esforço voluntário para conquistar alguma coisa difícil e realizadora. Este conceito não é tão fácil de ser explicado, então veja este vídeo para entendê-lo de forma mais clara:

 

Quanto mais experiências de fluxo acontecem em uma semana, maior será a satisfação e a felicidade de alguém.

Isso é interessante, pois contraria a sabedoria popular de que é o descanso que deixa as pessoas felizes.

O trabalho profundo é um estado de fluxo contínuo e esse fluxo gera felicidade

Com isso, temos um poderoso argumento da psicologia em favor da profundidade. Décadas de pesquisa validam que o ato de se aprofundar em algo nos ajuda a organizar a nossa mente e, assim, valoriza nossas vidas.

O trabalho profundo é a chave para extrair propósito e sentido da sua profissão.

Além disso, adotar o trabalho profundo em sua própria carreira e direcioná-lo de maneira a cultivar suas habilidades é um esforço que pode transformar seu trabalho e fazer com que ele deixe de ser uma obrigação distraída e se torne uma tarefa satisfatória e realizadora.

As rotinas e rituais para entrar em ‘deep work’

A chave para desenvolver um trabalho profundo é acrescentar rotinas e rituais em sua vida para minimizar a quantidade de força de vontade necessária para manter um estado de concentração ininterrupta. Em outras palavras, você precisa encontrar o que chamamos de engajamento genuíno. Algo que mova você a fazer o que precisa ser feito.

Por exemplo, se no meio de uma tarde distraída você decide de repente navegar pela internet, para mudar sua atenção para uma tarefa com exigência cognitiva, você vai precisar fortemente da sua força de vontade para te afastar da web.

Portanto, essas tentativas muitas vezes falham. Por outro lado, com rotinas e rituais inteligentes – como separar um tempo e um local quieto para suas tarefas profundas – você vai precisar muito menos da sua força de vontade para começar e para continuar trabalhando.

No longo prazo, você terá sucesso com esses esforços profundos muito mais frequentemente.

Decida construir rituais

  • Onde você vai trabalhar e por quanto tempo. Se for possível, escolha um local exclusivo para se aprofundar no trabalho, como por exemplo, uma sala de conferências vazia ou uma biblioteca silenciosa.
  • Como você vai trabalhar depois de ter começado. Seu ritual precisa ter regras e processos para manter seus esforços estruturados. Por exemplo, você pode instituir uma proibição de qualquer uso da internet ou manter uma métrica como ‘palavras escritas a cada período de 20 minutos’, para manter sua concentração.
  • Como você vai apoiar seu trabalho. Seu ritual precisa garantir que seu cérebro receba o apoio necessário para operar a um alto nível de profundidade. Por exemplo, o ritual pode especificar que você comece com uma xícara de café ou garanta que você tenha acesso a comida suficiente para manter sua energia, ou mesmo integre exercícios leves como uma caminhada para ajudar a clarear sua mente.

Planeje seu tempo para fazer absolutamente NADA

O tempo ocioso ajuda seu cérebro a descansar e faz com que suas horas de trabalho profundo sejam mais produtivas. Existem outras três razões para que você forneça um pouco de ociosidade ao seu trabalho:

  • Melhoras do tempo de inatividade. Fornecer tempo para seu cérebro descansar permite que seu inconsciente trabalhe nos desafios profissionais mais complexos. Portanto, o hábito de ‘se desligar’ não está necessariamente reduzindo a quantidade de tempo que você gasta em um trabalho produtivo. Pelo contrário, está diversificando o tipo de trabalho que você é capaz de realizar.
  • Tempo de ociosidade recarrega a energia necessária para trabalhar profundamente. Sua atenção é um recurso finito. Se você acaba com ela, vai ter dificuldades para se concentrar. A ideia principal dessa teoria é que se você descansar um pouco dessa atividade, conseguirá restaurar sua habilidade de direcionar sua atenção e seu foco.
  • O trabalho substituído pelo tempo ocioso não é tão importante. Sua capacidade de trabalho profundo em um dia é limitada. Após atingir sua carga máxima durante seu dia de trabalho, você não deve ter medo de parar e descansar. Afinal, você não será capaz de continuar a trabalhar de maneira eficiente e seus esforços estarão confinados em tarefas de baixo valor, realizadas em uma baixa velocidade.

Ainda teremos uma última parte para concluir este tema. Achar um caminho para a alta performance não é tão fácil, mas uma vez que você encontra, seu trabalho nunca mais será o mesmo.

por André Medeiros

André Medeiros

Co-fundador da Edevo

André Medeiros tem 20 anos de experiência e atualmente é sócio na Advoco Brasil, empresa de consultoria que ajuda no desenvolvimento de escritórios de advocacia, e é um dos fundadores da Edevo.