12 de julho de 2018

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Cultura de inovação

Quando se fala em inovação é necessário ter claro do que se trata exatamente o termo. A inovação pode ocorrer em diferentes graus, tendo assim uma conceituação diferente para cada estágio e, ainda, um impacto específico dentro da empresa ou no mercado em geral conforme o grau.

Além disso, a inovação é um processo e, por isso, deve ser analisada como tal. Por essa razão, fala-se muito na gestão da inovação e os procedimentos dentro do processo de inovação.

Os três graus de inovação

Basicamente, são três os graus de inovação. Do menor para o maior, são eles:

  • Incremental
  • Radical
  • Disruptiva

A inovação incremental caracteriza-se pela inovação em processos ou produtos/serviços existentes dentro de uma empresa. Pode ser um processo produtivo que pode ser melhorado para aumentar a escala de produção da empresa, pode ser melhorar um produto/serviço que já é prestado da mesma maneira há anos ou ainda a criação de um sistema que aumenta a eficiência ou diminui perdas no processo produtivo dentro dela.

A inovação radical, por sua vez, é aquela que resulta na criação de uma invenção. Trata-se da criação de um produto ou serviço novo que não existia. Por esse motivo, requer um nível maior de inovação. O produto da inovação radical pode ser capaz, inclusive, de criar novos mercados. É o caso do celular, por exemplo, no início da década de 90. Até então as pessoas não consumiam esse tipo de produto, mas criou-se um novo mercado e, posteriormente, ainda criou-se o mercado de aplicativos.

Por fim, a inovação disruptiva é aquela inovação radical que configura tamanha novidade e impacto de mercado que não se restringe a apenas criar um produto novo, mas esse produto/serviço novo muda toda a dinâmica do mercado quanto ao segmento que o mesmo pretende atender. Os exemplos mais recorrentes e claros são Airbnb, Netflix e Uber. Antes do surgimento do Airbnb as pessoas costumavam hospedar-se em hotéis, agora podem hospedar-se na casa de estranhos. O mesmo ocorre com o Uber – antes as pessoas confiavam na fiscalização realizada pelas autoridades públicas para pegar um táxi, pois este era um veículo que trazia toda a confiança de que o poder público o fiscalizava. No entanto, com a força dos aplicativos online to offline (O2O) as pessoas sentem-se confortáveis para chamar um desconhecido para atender sua demanda de transporte. Por fim, o Netflix fez com que a sociedade no geral mudasse a forma de consumir conteúdo na televisão – acabando com o resquício do que ainda sobrava de locadoras de DVD e BluRay e ameaçando as emissoras de televisão, bem como os próprios cinemas.

Todos esses exemplos tem em comum o fato de que alteraram a dinâmica de mercado que prevalecia até então e, a partir da introdução dos seus serviços no mercado, este passou a se comportar de forma diversa.

O processo de inovação

Não existe um consenso sobre quais são exatamente os processos específicos dentro do processo de inovação de uma empresa. Por essa razão, existem diversos modelos (frameworks) que podem ser adotados por cada empresa.

Diante disso, torna-se importante discutir como criar uma cultura de inovação na empresa para então criar ou escolher o processo mais adequado para que a cultura esteja voltada para inovação e os colaboradores possam seguir um processo definido para atingir a melhoria e criação de produtos ou serviços. Isso passa a ser crucial para manter a competitividade da empresa.

Embora existam nomenclaturas diferentes, a maioria das pessoas segue os seguintes passos:

  • Ideação
  • Triagem
  • Prototipação
  • Testes
  • Validação
  • Produção
  • Comercialização

Durante a fase de ideação é preciso analisar onde serão buscadas as ideias. Assim, podem ser feitas pesquisas, programas internos de inovação para buscar sugestões de colaboradores, processos de open innovation, design thinking, dentre diversas outras maneiras de buscar ideias. Deve estar claro o que se objetiva com a inovação que a empresa busca criar e quais times/pessoas estarão envolvidos no processo. Caso as ideias partam de colaboradores é importante deixar claro que essa fase deve seguir a noção de brainstorming – ou seja, nenhuma ideia pode ser avaliada nesse momento, apenas colocada à disposição e aceita.

Em seguida, nem todas as sugestões obtidas são adequadas para a empresa. Dessa maneira, as ideias obtidas devem passar por um processo de triagem. Para que isso seja possível, é necessário ter claros os objetivos e a partir daí estabelecer critérios para que as ideias passem pela triagem.

Após a triagem, a equipe de inovação escolherá quais ideias devem seguir para a fase de prototipação. Nesse momento, a empresa deve criar um protótipo básico (produto mínimo viável ou MVP), rudimentar, contendo apenas a funcionalidade principal para que a empresa possa depois realizar testes para verificar se o mercado valida o MVP.

Uma vez pronto o MVP, este deve ser colocado junto ao público consumidor em pequenos grupos para que a empresa possa validar suas suposições e confirmar se de fato existe um mercado consumidor do produto/serviço que acabou de inventar.

Logicamente, quando se trata de uma inovação incremental em um processo produtivo, o teste e a validação não serão realizados com o mercado consumidor, mas será realizado um piloto dentro da própria empresa.

A fase de prototipação, teste e validação é importante para colher dados do novo produto/serviço criado. Com esses dados, a equipe de inovação poderá colher os feedbacks e ajustar o produto/serviço para adequar-se ao máximo ao que o público espera por meio de um processo que denomina-se “iteração”. A iteração prevê que os protótipos devem ser colocados à disposição de pequenos grupos de teste que vão fornecer dados sobre o uso do produto/serviço para que seja possível ajustá-lo e, em seguida, coloca-lo à disposição do público novamente para teste e reinício desse ciclo. Portanto, trata-se de um ciclo contínuo de ajustes e adaptações orientados pelo público-alvo do produto/serviço para garantir que esteja atendendo às expectativas do mercado.

Uma vez que o protótipo é validado, passa-se à produção ou disponibilização do produto/serviço buscando atingir escala. A escala, por sua vez, será alcançada quando a comercialização dele se tornar satisfatória o suficiente para alcançar esse patamar.

Cultura de Inovação

Para que todo o processo de inovação de fato ocorra de maneira harmônica dentro da empresa, é necessário criar uma cultura de inovação. Para falar de cultura de inovação, após entendimento do que é “inovação”, é imprescindível entender o que é “cultura”.

A cultura é o imaginário que se constrói entre colaboradores, diretores e sócios de uma empresa a partir da sua identidade e valores. Trata-se do posicionamento da empresa e, a partir disso, os colaboradores, diretores e sócios da empresa orientarão seu comportamento de uma forma determinada para conduzir as atividades da mesma.

Para definir esse posicionamento e identidade, a companhia desenvolve internamente a sua missão, visão e valores, os quais orientarão tudo o que os colaboradores, diretores, sócios e stakeholders fazem quando estiverem se relacionando com a empresa de alguma maneira. É importante notar que dependendo de como essa missão, visão e valores são definidos isso pode motivar os colaboradores em maior ou menor grau. Por essa razão, Simon Sinek defende o que denomina de “Golden Circle”- é necessário entender a razão do que é feito pela empresa (o “porquê”), para depois explorar o “como fazer” e “o que”. Apenas com esses três fatores muito claros em mente, começando pela razão pela qual a empresa faz o que faz, a empresa seria bem sucedida nas vendas, pois tanto os colaboradores quanto os stakeholders e consumidores tem claro o posicionamento da empresa.

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Isso, por fim, influencia o clima organizacional. O clima pode ser medido por meio de métodos específicos adotados pelas empresas e representa o sentimento que os colaboradores têm em relação à empresa, a interação entre eles, sócios, diretores e que acaba refletido na relação com os clientes.

Definidos os conceitos de inovação e cultura, podemos começar a pensar em como criar uma cultura de inovação. Para que isso seja possível, devem ser adotados métodos e processos que favoreçam a penetração da inovação na empresa de forma que possa ser reforçada pela cultura. Apenas dessa maneira o time estará pronto para desenvolver novos produtos/serviços, melhorar processos internos e, acima de tudo, com o devido apoio da Diretoria e sócios da empresa.

Processos e métodos para criar uma cultura de inovação

Essa cultura de inovação não pode nascer do dia para a noite em uma empresa só porque um diretor mandou. Portanto, são diversos processos e metodologias que podem ser adotadas para garantir que os sócios consigam reforçar e manter essa cultura e, de outro lado, garantir que haja engajamento dos colaboradores.

Algumas empresas tem isso muito claro e, por isso, são verdadeiras campeãs em inovação, motivo pelo qual passam a ser estudadas como casos emblemáticos de como adotar processos internos para favorecer uma cultura de inovação. Alguns exemplos são Google e 3M.

Por outro lado, uma importante fonte de inovação são as startups. Muitas empresas que mantém a crença de que não conseguem implementar processos tão bons quanto os de startups, preferem optar pelo corporate venture ou criar alguns outros programas para incluir startups em sua estrutura para garantir a inovação. Dessa maneira, também é possível buscar inovação ao investir, adquirir ou criar programas internos para criação de startups. Para isso, torna-se necessário entender o que são e como funcionam essas organizações.

Assim, são diversos os caminhos a serem adotados pelas empresas para inovar, basta que isso seja estruturado de maneira clara e passado para a estrutura como um todo para garantir o engajamento de todos nesse processo.

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Erik Nybo

Head of Inspiration

Co-fundador da Edevo - Escola de Negócios, Inovação e Comportamento, Head de Inovação no Molina Advogados e advogado graduado pela Fundação Getúlio Vargas de São Paulo (FGV-SP).